sábado, 5 de janeiro de 2013

O Inconsciente: Santo Graal da Neurociência



O que é um espelho? É o único material inventado que é natural. Quem olha um espelho, quem consegue vê-lo sem se ver, quem entende que a sua profundidade consiste em ele ser vazio, quem caminha para dentro de seu espaço transparente sem deixar nele o vestígio da própria imagem – esse alguém então percebeu seu mistério de coisa. Para isso, há que surpreendê-lo quando está sozinho, quando pendurado num quarto vazio, sem esquecer que a mais tênue agulha diante dele poderia transformá-lo em uma simples imagem de uma agulha, tão sensível é o espelho na sua qualidade de reflexão levíssima. (Clarice Lispector, “Os espelhos”)



René Magritte, "A reprodução interdita"


A psicanálise tem como ponto central na origem da sua descoberta do inconsciente a questão sobre o sentido na ordem da mente humana. Foi ao conferir sentidos a sonhos, lapsos e chistes que Freud pôde começar a compreensão da própria ‘lógica’, como diria Deleuze, que rege esses fenômenos. Isso o levou a descobrir que a mente humana é essencialmente uma máquina de produção de sentido, em mecanismos que vão desde o trabalho do sonho aos caminhos da formação dos sintomas. “A introdução de uma ordem de determinações na existência humana, no domínio do sentido, se chama razão. A descoberta de Freud é a redescoberta, num terreno não cultivado, da razão” (LACAN, 1986, p. 12 - grifo meu). Essa razão é o cerne da psicanálise e é em sua direção que ela deve se apontar. Mas de que razão exatamente se trata?

Quando Freud introduz o sentido como determinação radical entre os elementos da mente (ou seja, as representações, as ideias), ficou a pergunta: trata-se de um processo cerebral, anatômico, físico? Ou eram fenômenos puramente psíquicos, que não têm existência física alguma? A princípio, Freud adscreve o mecanismo ao cérebro em seu Projeto para uma Psicologia Científica. Isso porque “a intenção é prover uma psicologia que seja ciência natural: isto é, representar os processos psíquicos como estados quantitativamente determinados de partículas materiais especificáveis” (FREUD, ESB vol. 1, p. 347). Isso mostra que à época, Freud queria que a mente se reduzisse ao físico, ao material, e não a algo além dele, algo metafísico. Há uma materialidade dos elementos mentais, e Freud tentou adscrevê-la a algo físico, orgânico, cerebral: “os neurônios devem ser encarados como as partículas materiais” (ibid.). No entanto, abandona rapidamente essa ideia (a ponto de nunca querer ter publicado seu ‘Projeto’) e adota a tese metafísica. A partir de então, e, sobretudo a partir de Lacan, a psicanálise sempre se manteve do lado ‘mente’, em sua dicotomia ao ‘corpo’, na qual seu conceito principal, o de inconsciente, foi considerado como uma estrutura não-anatômica, não-física. Psicanalistas, lacanianos famosos, no Brasil, como Maria Rita Kehl, dizem, como ela o fez num congresso de Neurologia e Psicanálise, com todas as letras: “pra psicanálise, o psíquico não é um lugar no cérebro”, “então a gente pode dizer: o psíquico não é uma instância espacial, neuronal, cerebral” (KEHL). Isso é dizer que o sentido, a razão desde a descoberta freudiana, não é algo físico, cerebral, o que Antonio Quinet, outro famoso nome brasileiro, ratifica: “este postulado freudiano de um lugar psíquico não é localizável no cérebro – o que é bom frisar para combater a ideia dos neurocientistas que continuam até hoje a desenvolver, na prática, as teorias da localização cerebral do século XIX. É um lugar simbólico” (QUINET, 2012, p. 21-22).

Quando eu estudava na faculdade, no primeiro semestre de psicanálise, ingênuos que éramos, um de meus colegas perguntou o seguinte para a professora: “mas onde está o inconsciente? É tipo por aqui?” (passando a mão na parte de trás da cabeça). Não me lembro o que ela respondeu, mas provavelmente não foi uma boa resposta, pois o mínimo que ela deveria ter respondido era como era possível haver alguma coisa que não fosse física. E isso ela não conseguiu responder. E nem Freud, e nem Lacan. O processo do inconsciente foi considerado psíquico (no sentido de não-físico) porque não se localizaram alterações ou lesões cerebrais quando se produziam sintomas neuróticos na época de Freud. Em seu 'Projeto', Freud diz que há uma 'alteração funcional sem lesão', e por isso é que ele pede licença (!) para entrar no terreno da psicologia: essa alteração é uma alteração da conepção, da idéia de uma determinada parte do corpo, por exemplo. Já no tempo de Lacan, a causalidade psíquica foi estabelecida a partir dos distúrbios de linguagem na psicose, tais como não fazer metáforas. Para Lacan, metáfora, ou seja, linguagem, não é localizável anatomicamente, ou seja, fisicamente. Mas onde está a metáfora, o sentido, então?

Lembremos rapidamente aqui a historia do sentido na psicanalise de Freud a Lacan. No mecanismo dos sonhos, Freud destaca os processos de condensação e deslocamento; o primeiro era um elemento mental que substituía vários outros ao mesmo tempo, assim condensando-os em si; o segundo como deslocamento de um desses elementos para outro. Lacan, usando o recurso da linguística de Roman Jakobson, redefine os processos freudianos como metáfora e metonímia, respectivamente, que são as figuras de linguagem da qual o inconsciente se vale para produção de seus construtos. O sentido emerge justamente de articulações metafóricas e metonímicas dos elementos do inconsciente (o qual é a própria estrutura articulatória), chamados por Freud de ‘representações’ e por Lacan de ‘significantes’. Esses significantes não são localizáveis no cérebro, eles são apenas a ‘imagem acústica’ que se produz quando um animal humano emite diferentes sons, quer dizer, quando o animal humano fala.

Isso particularmente sempre me intrigou ao começar os estudos de psicologia. Suponhamos um caso freudiano clássico, uma mulher com paralisia facial no lado esquerdo, sem quaisquer alterações, anormalidades cerebrais. A mera fala do psicanalista é capaz de desamarrar aquele sintoma, curando-o: como isso é possível? Como é que a linguagem, como algo 'não-físico', não anatômico, pode causar fisicamente qualquer coisa, como uma cura, neste caso? O que é a fala?

A fala é um processo físico: uma corrente elétrica ativa um circuito neuronal, eletroquímico, que leva da intenção de falar (ou seja, do pensamento de que se vai dizer algo) até o movimento da boca, que então vibra as cordas vocais, articula posicionamento da língua e dos lábios para emitir determinada configuração sonora (e som nada mais é do que moléculas de ar vibrando) que atravessará o ar para atingir uma membrana no ouvido do ouvinte, chamada tímpano, que por sua vez movimenta um grupo de três ossos cuja vibração é convertida em um impulso elétrico que percorre um circuito neuronal até uma área no cérebro que processa aquela informação e lhe confere sentido, assim, por exemplo, curando aquele sintoma em particular. Todo o processo descrito aqui, exceto a palavra ‘sentido’, é um processo físico, material, especificamente eletroquímico e mecânico. Mas o sentido é tido como algo não físico. Por quê?

O interessante é que o significante, que é condição do sentido, mesmo não sendo físico, é suposto ser material. Isso está tanto em Freud como em Lacan. O que quer dizer ‘material’ nesse contexto, então? Quinet responde que “é a materialidade sonora dos significantes (a própria imagem acústica da palavra e que, portanto, dispensa seu significado)” (2012, p. 30). Ora, mas diante de todo esse processo físico na qual se constitui a formação do sentido, pergunto: onde a imagem acústica se forma? Como não seria no próprio cérebro? Como é que no ser humano, que nada mais é do que um outro tipo de primata, o cérebro (evoluído a partir do macaco) possibilita a criação de algo que não seja ‘cerebral’, quer dizer, físico? Como é que o cérebro produz uma 'imagem acústica' fora de si mesmo?

A psicanálise freud-lacaniana, desde aquele Projeto para uma Psicologia científica, não mais se debruçou sobre os limites entre físico e psíquico. Seu movimento foi de entender principalmente a lógica pela qual os elementos do inconsciente (fossem eles físicos ou psíquicos) se articulam. Isso foi muito bem feito por Freud e Lacan. Porém, o inconsciente, o mental, não para aí. Ele é determinado não apenas por elementos propriamente psíquicos (como nos casos das neuroses clássicas), mas por condições cerebrais também. É só ver os efeitos psíquicos que várias drogas causam pelo cérebro, ou condições genéticas, etc. Isso porque o psicanalista pode facilmente ser ludibriado por um sintoma cerebral que ele pensa ser de ‘linguagem’, psíquico; isso atrapalha a clínica, e limita o escopo do entendimento da situação com a qual o analista se depara. E até que ponto o sintoma tem determinantes cerebrais e até que ponto psíquicos é um interregno de praticamente impossível mapeamento completo.

Psicanálise e neurociência não podem se considerar antagônicas; elas têm que trabalhar para que cada vez mais estejam em coerência nas suas formulações. A psicanálise clama ter descoberto nada mais nada menos do que a razão, que é do sentido, como mecanismo fundamental dos processos psíquicos. Se isso é, é de se esperar que mais cedo ou mais tarde, a neurociência descubra o que, no cérebro, a partir da sua evolução entre o macaco e o homem, possibilitou o surgimento dessa razão.

Não é à toa que MD Magno, psicanalista brasileiro pioneiro do lacanismo no país, propõe exatamente isso em 1983: alguma formação cerebral capaz de produzir, secretar, a lógica que os outros animais não têm, que é a lógica do significante. Essa lógica, grosso modo, pode ser formulada da seguinte maneira: para cada elemento psíquico que se coloque no inconsciente, outro elemento é requisitado como sentido daquele primeiro. É como a relação entre conteúdo manifesto e conteúdo latente do sonho: para cada elemento manifesto há, pelo menos, um outro, latente, que se configura como sentido do manifesto. Cada elemento possui um avesso de si mesmo, um Outro, com o qual se articula de modo unilátero: é indiscernível o fim de um e o começo do Outro. É daí que emerge o sentido, dessa própria articulação entre coisas diferentes (ou seja, opostas) que se significam. Por isso MD Magno diz que a razão do inconsciente é catóptrica: palavra que vem do grego katoptron, que significa ‘espelho’. Mas não é a razão especular entre imagens, como Lacan coloca. É o vazio radical do espelho, onde qualquer coisa que se coloca produz um avesso; no entanto, o espelho catóptrico não é como um espelho normal, que só vira ao avesso os lados. É um espelho no qual, se se lhe apresenta luz, ele reflete a escuridão; se se lhe apresenta dia, ele reflete noite, e etc. Ou seja, é um avessamento radical de seus elementos: o espelho reflete opostos. Como exemplo, se alguém sonhou com uma borboleta, o fato de que ‘borboleta’ sempre significa alguma outra coisa que não ‘borboleta’ (talvez a liberdade, devido às asas, ou um trauma, etc.) mostra claramente a catoptria do espelho: se ‘borboleta’ é o conteúdo manifesto do sonho, o conteúdo latente é ‘não-borboleta’; duas imagens (simbólicas) do mesmo espelho (o real). Como diz Lacan: “o que essa estrutura da cadeia significante revela é a possibilidade que eu tenho, justamente na medida em que sua língua me é comum com outros sujeitos, isto é, em que essa língua existe, de me servir dela para expressar algo completamente diferente do que ela diz” (1998, p. 507). Assim, o espelho espelha o contrário, como Magritte mostra muito bem: seu espelho é o oposto de um espelho especular, imaginário e é nisso que ele é catóptrico, real. O significante comporta uma 'significação antitética de palavras primitivas' na qual é impossível saber os limites de seus sentidos, sempre sendo possível um equívoco (l'une-bévue) de significação.

Para Magno, essa lógica catóptrica é que deve estar instalada em alguma função cerebral - e não necessariamente num único ponto ou tipo de função, mas pode ser um conjunto complexo de diferentes funções cerebrais que produzem a catoptria. Mas a aposta de Magno é de que há uma base física, cerebral, para a lógica do inconsciente, lógica esteada na questão do sentido e que foi desenvolvida dentro da psicanálise como lógica catóptrica.




No entanto, a psicanálise, que, pelo menos até Lacan, desvincula o sentido de quaisquer localizações físicas, não é a única a investigar a lógica do sentido. As neurociências - e até mesmo a física quântica! - entraram de vez no campo e têm feito descobertas e asserções que nenhum psicanalista deveria ignorar. Duas são do maior interesse para o entendimento cada vez mais refinado do que possa ser o inconsciente. Mas antes de entrar nas especificidades dessas descobertas, vamos lembrar de maneira básica, o que é o cérebro e seu funcionamento mínimo.

O cérebro é um órgão composto de células específicas, chamadas de neurônios. Em média, cada cérebro tem aproximadamente 100 bilhões de neurônios, que são as unidades funcionais e estruturais do sistema nervoso. Cada neurônio pode ter pontos de contato, chamados ‘sinapses’, com milhares de outros neurônios, de modo que a complexidade de suas conexões ultrapassa o número de átomos existentes no universo.

O estudo do cérebro é feito basicamente através de imagens: ligue detectores no cérebro e peça ao sujeito que execute uma ação qualquer, como mexer um dedo. As partes do cérebro que se estimularem (através dos impulsos eletroquímicos) estão envolvidas no processo de mexer o dedo. Outra maneira é mapear um neurônio por vez para saber que tipo de função ele executa. Por exemplo, a célula não se estimula quando se emite um som, mas quando se emite luz, ela se estimula, o que dá certa confiança em dizer que aquele neurônio está envolvido com imagens, e não com sons. Assim, cada parte do cérebro está envolvida com uma função altamente específica: a parte de trás é majoritariamente responsável pela visão, por exemplo. Se houver uma lesão lá, o que você perde é apenas a visão, e não outras funções, como audição. Existem áreas específicas apenas para a compreensão de movimentos por exemplo. E pessoas com lesão nessa área não conseguem muitas vezes atravessar uma rua, pois não conseguem ver os carros se movendo, elas veem apenas uma sucessão de estados parados do carro, mais e mais perto (ou longe), e assim, não conseguem calcular sua velocidade, o que as deixa receosas para executar a ação. Outra área, chamada giro fusiforme, é relacionada com o reconhecimento de rostos, apenas. Ou seja, algo muito específico. Lesões nesta área levam a sintomas como não reconhecer rostos extremamente familiares, mas o reconhecimento de voz continua intacto.

Um fenômeno que interessa particularmente à psicanálise é o chamado de membro-fantasma. Um sujeito teve, digamos, uma mão amputada, mas continua a senti-la: tem dor, coceiras, sente que mexe com os dedos, etc. Seria isso apenas um fenômeno mental imaginário? Uma alucinação? Mais interessante ainda: quando uma pessoa que tem membro-fantasma observa uma pessoa tocando outra naquela região onde ela está amputada, ela sente o toque no seu membro-fantasma! Apenas a observação a faz sentir o toque que não tocou nela! Só pode ser uma alucinação, um fenômeno imaginário de identificação, certo?

V.S. Ramachandran, neurocientista indiano, forneceu uma explicação cerebral para o fenômeno, a partir das descobertas de um grupo de cientistas italianos liderado por Giaccomo Rizzolatti. Existem neurônios chamados de ‘neurônios de comando motor’, responsáveis por orquestrar a cascata de contrações musculares que resultam, por exemplo, no movimento de um dedo, ou de uma mão, ou qualquer outro. Tanto macacos quanto humanos possuem esses neurônios. Rizzolatti descobriu que aproximadamente 20% desses neurônios ativavam não apenas quando alguém faz o movimento, mas quando simplesmente observa outra pessoa (geralmente da mesma espécie) fazer o mesmo movimento. Essa classe de neurônios foi imediatamente chamada de ‘monkey see, monkey do’, ou ‘neurônios-espelho’, como são agora conhecidos, porque eles imitavam o movimento de outrem. Da mesma forma, na parte do cérebro responsável pelo sentido do tato, os neurônios espelho se ativam à mera visão de alguém ser tocado no braço, por exemplo. E uma questão importante nesse caso é: se meus neurônios de tato se ligam quando vejo alguém ser tocado, como é que eu não sinto o toque? Como o cérebro sabe a diferença? A hipótese é de que o braço do observador, que não está sendo tocado, envia a informação de que não há nada tocando-o, e isso bloqueia o envio de informação do cérebro para o braço com a sensação de toque. E uma maneira de testar isso foi justamente com amputados: como neles não há braços para enviar o sinal de que não estão sendo tocados, eles devem sentir o toque. E foi exatamente o que aconteceu. Mais extraordinário ainda, pessoas que apenas tiveram os braços meramente anestesiados, de modo a não enviar informação sobre toques para o cérebro, também sentiram o toque no seu braço anestesiado!

A descoberta desses neurônios é de extrema importância para a psicanálise, pelo fato de que eles são ativados tanto em uma das pessoas em jogo, quanto na outra, de modo que “a única coisa que está separando a sua mente da minha mente é a pele. Nossos cérebros estão interligados” (RAMACHANDRAN b). “Você é capaz de criar uma simulação de realidade virtual do que está acontecendo no cérebro do outro macaco” (Ibid.) Esse modo de articulação entre eu/outro, no qual os limites entre suas mentes se borram, se indiferenciam, é o lugar da lógica do significante, ou seja, da lógica catóptrica.


Sendo, antes de tudo, uma máquina de avessamento ou Revirão, a mente é a competência de articular as informações recebidas no regime de sua enantiose, isto é, no regime de pura e simplesmente poder efetivar a função contrária do que comparece. Por enantiose ou enantiomorfismo devemos entender a operação de avessamento de toda e qualquer formação que nossa mente é capaz de sonhar ou pensar por ser sua competência fundamental a habilidade de propor uma formação reversa. Assim – questão cara à teoria dos neurônios-espelho –, se há imitação de um “outro” é porque a função revirão opera avessando o que comparece como “externo” em “interno”. Faz-se o que o “outro” está fazendo porque há a capacidade de virar pelo avesso a articulação que se apresenta. A máquina de reviramento incorpora tudo que emerge recortadamente como sendo “outro”. Nesse sentido, a função catóptrica indiferencia as barreiras operacionais que recortam e constroem as noções ligadas ao jogo da alteridade (MAGNO, 2008, p. 174).


De modo que a lógica do espelho dos neurônios parece ser também catóptrica, e não meramente especular, mimética. As duas funções do espelho estão aí embutidas, tanto o imaginário lacaniano quanto a catoptria de Magno.

Veja bem, isso não é dizer que esse neurônio é o inconsciente, mas que a função que ele apresenta é absolutamente compatível com a função do espelho no Inconsciente: a reversão lógica do reviramento de significação. O eu e o outro se espelham, tal como um significante espelha o outro. Se por um lado, Lacan propõe a função do espelho como reconhecimento da imagem, Magno mostra aí que há o reconhecimento do próprio espelho, enquanto articulador catóptrico das imagens, o que inclusive é o que causa o júbilo da criança diante do espelho.

Ramachandran diz que o neurônio-espelho é “um neurônio de empatia. Então empatia não é mais um conceito abstrato, filosófico, metafórico. Você vê no nível da circuitaria neuronal (...), que está dissolvendo a barreira entre você e outro ser humano (...). Eu digo que isso não é só filosofia, não é só metáfora: seus neurônios estão dissolvendo a barreira por você” (RAMACHANDRAN b). Em outras palavras, como disse Lacan, citando Rimbaud: “eu sou outro”.

Agora, se macacos também portam esses neurônios, porque eles também não fazem função catóptrica? Por quê eles não são humanos? Ramachandran diz que é a quantidade desses neurônios que possibilitam complexificações cerebrais suficientes para dar ignição à lógica catóptrica. O ser humano tem muito mais deles do que o macaco.

Assim, a questão dos neurônios espelho está intimamente associada com a emergência do sentido, do significado, e isso também no nível das representações. Ramachandran tem tentado retornar à questão dos qualia e do self como aquilo que falta a qualquer mapeamento neuronal, físico, sobre qualquer sentido humano: sua experiência consciente e subjetiva das coisas. Os qualias são as representações das quais se tem consciência (RAMACHANDRAN b); por exemplo, se você for espetado por uma agulha, sentirá a sensação – isso é qualia: a experiência subjetiva, consciente, e incomunicável para outros, de estar sendo espetado por uma agulha. Já o self é a possibilidade de refletir (como quem fala de espelho...) sobre a própria qualia: “eu sei que experiencio aquele qualia e eu sei que eu experiencio aquele qualia” (Ibid.). De modo que Ramachandran acha que esses não são dois conceitos separados, mas devem ser considerados simultaneamente, “como dois lados de uma banda de Möebius” (Ibid.): não há qualia, ou seja, experiência subjetiva, sem o self, pois não há um estado anterior, chamado qualia, sobre o qual o self reflete; não há um sem outro; e ambos estão intimamente relacionados à linguagem, na área de Wernicke no cérebro. “Para que a qualia tenha qualquer significado deve haver significado” (Ibid.). Ramachandran exemplifica da seguinte maneira: uma mosca que vê uma fruta e põe sua probóscide (aquela coisinha com a qual ela pica) para comer a fruta, está criando uma representação daquela fruta no seu cérebro, pois são sinais neurais; ela não está copiando a fruta em seu cérebro. Assim que a representação é criada, a mosca solta sua probóscide. Para Ramachandran, não há qualia aí nessa representação. Para uma pessoa, a fruta (suponha que seja maçã) evoca o ‘pecado original’, ou sua professora, ou, se você for um Newton... evoca a gravidade. São virtualmente infinitas possibilidades de significado. E isso é unicamente humano. “E isso acontece... eu acho que são conjuntos de circuitos no cérebro” (Ibid.). Eses conjuntos geram


não apenas a representação sensória, mas o self ‘inspecionando’ a informação sensória que entra. Isso é território perigoso, pois quando você fala ‘inspeciona’, faz você pensar na falácia do homúnculo, de uma pequena pessoa que está olhando. Não é o que eu digo. Estou dizendo que em algum estado da evolução, ao invés de apenas a representação sensória, começou-se a criar o que chamo de meta-representação, uma representação da representação – ao contrário da mosca – que permite que se manipulem símbolos internamente na cabeça. E isso está intimamente conectado com coisas como sentido. [...] e nesse conjunto todo há a emergência dessa propriedade dual do qualia e do self, que eu acho ser única nos humanos (Ibid.).


Temos então o qualia como representação sensorial e o self como meta-representação, e a articulação de ambos, ao modo da banda de Möebius, é o que gera o sentido. Isso é exatamente como o que Lacan e Magno colocam como articulação entre significantes. Isso vem de Freud, que cunhou dois termos: Vorstellung (representação) e Vorstellungrepräsentant (representante da representação), as quais ele adscreve ao inconsciente, como representação de coisa, e ao pré-consciente/consciente, como representação de palavra, respectivamente. A Vorstellungrepräsentant é análoga ao que Ramachandran chama de meta-representação, que articula as infinitas possibilidades de sentido para as Vorstellungen. E essa é a própria função do significante: representar outro significante.

Para Ramachandran, toda a discussão está concentrada numa questão, que é “o Santo Graal da Neurociência”: como os neurônios instanciam o sentido? (Ibid.) A psicanálise, a partir dos achados freudianos, formulou uma lógica que responde a essa pergunta num nível abstrato, discursivo, linguageiro, "não físico"; mas a neurociência parece estar percorrendo o mesmo caminho lógico por uma via neuronal, cerebral, mostrando à psicanálise a condição física para a possibilidade da emergência da função catóptrica que caracteriza o inconsciente. Isso, por sua vez, à própria maneira dos neurônios-espelho, dissolveria a fronteira entre físico e psíquico, natural e cultural, uma vez que, até mesmo segundo Freud, investigar o inconsciente (tido como construto puramente cultural) é investigar “algo que pertence ao próprio núcleo da natureza” (FREUD, ESB vol. 1, p. 336). Pois, se o cérebro porta, comporta, condiciona a lógica significante, é porque ele mesmo é “estruturado como uma linguagem”, como diz Lacan.

Ramachandran também discute a questão da metáfora. Como sabemos, Lacan mostra que a metáfora é mecanismo significante, de uma substituição de um significante por outro, o que gera a articulação fundamental entre Vorstellung e Vorstellungrepräsentant, constituindo assim o advento do sentido. Quer dizer, a articulação não é especular, como se um elemento tenha qualquer semelhança com o outro (como diz Lacan, não se trata de analogia); pelo contrário, é uma articulação de diferença radical, de oposição, ou seja, é articulação catóptrica: um elemento nada tem a ver com o outro, mas mesmo assim são dois aspectos da mesma coisa. Lembremos com Freud que “as representações opostas são preferencialmente expressas nos sonhos por um único elemento. O ‘não’ parece inexistir no que concerne aos sonhos. A oposição entre dois pensamentos, a relação de inversão, pode ser representada nos sonhos de maneira realmente notável. Pode ser representada pela transformação de outra parte do conteúdo onírico em seu oposto” (ESB, V, p. 679). 

O neurocientista indiano começa a compreender a metáfora a partir de um fenômeno muito interessante e que, segundo ele, a ciência sempre renegou por não ser compatível com seu paradigma (qualquer semelhança com Freud...): a sinestesia. Ela é uma condição em que representações dessemelhantes, diferentes, até mesmo opostas, entram em relação. Por exemplo, se eu disser que a nota musical 'dó' tem a cor verde: se a nota toca, eu digo que aquela representação é verde. Ora, está-se tomando uma representação auditiva (som) e articulando-a a uma representação visual (cor), representações que são evidentemente conflituosas, e até certo ponto, realmente opostas. Outro exemplo é o tipo de sinestesia mais comum: números e cores. Assim, o 1 é azul, 2 é vermelho e etc. Lacan dizia que só se pode falar por metáforas: a sinestesia mostra isso num nível muito forte, o corporal, cerebral. ‘Literalmente’, é revirar a palavra de um ‘sentido’ (‘visão’, ‘audição’...) para outro...

Novamente pergunto-me: trata-se de um fenômeno puramente linguageiro, ‘psíquico’? A metáfora é algo que de nunca, forma alguma, será descrita em termos físicos, cerebrais? As pesquisas de Ramachandran sugerem que não; há uma lógica cerebral homóloga à lógica metafórica do significante. Isso porque nos mapeamentos cerebrais de sinestetas as áreas especializadas em enxergar cores acendem junto com as áreas que representam números, ou sons, e das outras combinações de sentidos. De modo que, por mais que o olho não veja, o cérebro processa o número ou o som como tendo uma cor associada a ele: o cérebro vê a cor, 'literalmente'. Por quê isso acontece? Porque as áreas responsáveis pelas diferentes funções (como números e cores, por exemplo) estão muito próximas umas das outras, o que causa, caso certo tipo de gene esteja desligado, um cross-wiring entre elas, ou seja, uma maior interconexão do que geralmente ocorre na formação cerebral 'normal' (que é uma maior especificidade de cada área do cérebro, menos conectadas). De modo que uma informação sobre número ‘vaza’ para a área das cores, assim articulando os dois significantes.

Se um mesmo gene for expresso mais difusamente por todo o cérebro então você terá maiores oportunidades de articular regiões cerebrais aparentemente não relacionadas, e consequentemente domínios conceituais aparentemente não relacionados. Isso é a base da metáfora. O que artistas, poetas e romancistas têm em comum? A habilidade de ligar ideias e conceitos aparentemente não relacionados (RAMACHANDRAN b).


Essa ideia de articular oposições, ou melhor, ‘conceitos aparentemente não relacionados’ é a neutralidade do espelho catóptrico, diante do qual a luz reflete a sombra, o bem reflete o mal, o som reflete a cor, e, especialmente, o eu reflete o outro. É o mesmo aparelho de dissolução de barreiras que “recortam e constroem as noções ligadas ao jogo da alteridade” (MAGNO, 2008, p. 174), que é propriamente o que Lacan falava sobre o equívoco do significante. De modo que é necessário supor alguma relação entre a lógica dos neurônios-espelho, supostos serem o rudimento da linguagem humana, e da genética que possibilita o cross-wiring, fornecendo as bases do pensamento metafórico na linguagem; pois, como a psicanálise nos mostra, a própria linguagem se institui a partir da metáfora. A relação catóptrica da metáfora é o próprio cerne da linguagem, ou melhor, o próprio cerne do Inconsciente, que, antes de ser língua, linguagem, é essa própria lógica de catoptria. As pesquisas neurológicas têm sugerido então que a catoptria não apenas se manifesta no nível linguageiro ‘psíquico’ (não-físico) mas no nível físico também, no cérebro.




E isso chega a um nível ainda mais radical a partir das pesquisas de um anestesiologista e de um físico: respectivamente Stuart Hameroff e nada mais nada menos que sir Roger Penrose. É sabido que dentro dos neurônios existem estruturas chamadas de microtúbulos, que são como ‘ossos’ da estrutura neuronal, determinando sua arquitetura (HAMEROFF). “Microtúbulos são perfeitamente desenhados para ser o computador de bordo da célula e processar informação no nível molecular” (HAMEROFF). A novidade que os autores propõem é que esse processamento é quântico, ou seja, processa os dois lados da oposição de uma só vez, assim como a neutralidade do espelho também processa os elementos do inconsciente na sua bifididade, ou, como diria Lacan, L’une-bévue, na equivocidade do significante, da significação antitética de palavras primitivas. Um processo essencialmente quântico é precisamente da ordem da superposição dos estados ortogonais das oposições, ou seja, da própria lógica catóptrica. É nesse vazio da superfície do espelho que uma oposição surge; o espelho sendo o que superpõe as oposições.

No nível do cérebro, o processamento clássico é, como diz Ramachandran, uma cascata de reações entre os circuitos neuronais; funciona como um efeito dominó: um neurônio acionando outro pelos seus pontos de contato e distribuindo a informação ao longo desse circuito sináptico. Já um processo cerebral quântico seria a interação entre dois neurônios que não estão conectados sinapticamente, acontecendo assim uma 'ação à distância' entre eles. É como se o efeito dominó ocorresse entre duas peças que não se encostam ao caírem. É uma articulação instantânea entre, por exemplo, um neurônio do hemisfério esquerdo com um do hemisfério direito sem passar por qualquer circuito. E a alteração da propriedade de um deles (por exemplo, corrente elétrica) instantaneamente afeta à distância a propriedade do seu par. A aposta de Hameroff e Penrose é de que esse processamento quântico da articulação neuronal se dá através dos microtúbulos dos neurônios, que articulam-se quanticamente.

Para testar a validade da hipótese, seria necessário obter um fenômeno quântico em seres vivos, o que é muito difícil, porque eles são grandes demais para a escala em que os fenômenos quânticos acontecem; além disso, são muito quentes, o que também dissiparia o fenômeno enquanto quântico. Porém já foi demonstrado que fenômenos quânticos ocorrem em certos organismos vivos, como pássaros (em seu sistema de navegação), plantas (na fotossíntese), e até mesmo no olfato humano. A pesquisa é recente, feita por Vladko Vedral (revista Scientific American, julho 2011). A possibilidade de se verificar efeitos quânticos em cérebros humanos tem se mostrado sustentável. Se isso for confirmado, mostrará a catoptria do processamento cerebral no seu nível mais fundamental enquanto materialidade: no nível físico das articulações subatômicas. Ou seja, mostrará a lógica que a psicanálise descobriu antecipadamente lógica da 'matéria significante', porém no nível físico, quebrando a barreira entre a oposição físico x psíquico, e isso ao próprio modo catóptrico, pois o núcleo do funcionamento psíquico é fundamentalmente quântico.

O processo quântico que articula os dois neurônios é chamado de emaranhamento. Ele articula neurônios que não estão conectados sinapticamente, bem afastados de contato um do outro, ‘aparentemente não relacionados’, como diria Ramachandran. Porém, um responde à ativação do outro como dois significantes se articulam na produção da metáfora: por catoptria. Um e outro neurônio se conectam como as duas imagens de um espelho catóptrico, que de algum modo se coloca entre eles e os põe a se representar. Modo esse que ninguém na física quântica entende e que Lacan costumava chamar de real.

Se por um lado, os neurônios espelho funcionam dissolvendo a barreira física entre um cérebro e outro, por outro lado, o emaranhamento quântico de microtúbulos funciona dissolvendo a barreira física entre um neurônio e outro. Mas ambos os lados só fazem refletir a unilateralidade da catoptria: seja cérebro, neurônio, representação, significante, seja qual for o material que sustente essa lógica, a psicanálise vem destacar o vazio lógico da estrutura catóptrica para mostrar a intercambialidade dos elementos que acaso ocupem essa estrutura. É no vazio do espelho que as oposições se refletem, se articulam como tais; mas o espelho não é conteúdo, ele simplesmente causa a articulação dos conteúdos: o espelho equivoca: transforma a agulha na sua própria imagem, ou seja, faz a agulha representar a si mesma. É isso que Magno aposta que os neurocientistas eventualmente descobrirão, ou melhor, comprovarão no laboratório, uma vez que as pesquisas de Ramachandran e Penrose & Hameroff parecem já ter descoberto o mecanismo lógico da psique funcionando fisicamente. Mas a descoberta original dessa lógica é psicanalítica, e cada vez mais tem sido sustentada pelas novas descobertas no campo da ciência a partir dos achados em física quântica, neurociências, etc. “Quero dizer que a mente imita com eficiência e eficácia a bifididade que os físicos encontram dentro da ordem quântica na microfísica” (MAGNO, 2011). Ou, se quiserem acreditar no Lacan, ele também diz:


O sujeito participa do real, justamente, por ser aparentemente impossível. Ou, melhor dizendo, se tivesse que empregar uma figura que não surge aí por acaso, diria que ocorre com ele o que ocorre com o elétron, no ponto em que este se propõe a nós na junção da teoria ondulatória com a teoria corpuscular. Somos forçados a admitir que é precisamente como sendo o mesmo que esse elétron passa ao mesmo tempo por dois buracos distantes (Jacques Lacan, Seminário XVII).

O real não é o mundo. Não há nenhuma esperança de atingir o real pela representação. Não vou começar a arguir aqui a teoria dos quanta, da onda, do corpúsculo. Seria melhor de qualquer forma que vocês estivessem por dentro, mesmo que isso não lhes interesse (LACAN, A Terceira).


Repetindo, não se trata aqui de adscrever um lugar cerebral específico como responsável pela existência do inconsciente (lembro de uma professora minha que tentou defender a localização do superego no lobo frontal), mas simplesmente destacar que a funcionalidade lógica da estrutura linguageira do inconsciente tem que ter algum substrato no cérebro. Foi a evolução do cérebro, num processo de complexificação da sua estrutura desde os primatas até os humanos, que propiciou a possibilidade lógica de um funcionamento mental significante, catóptrico, propriamente humano, e não meramente como linguagem animal. Por isso, a psicanálise não precisa ‘combater’, como diz Quinet, a neurociência, pois se acaso as teorias dos neurônios-espelho e dos microtúbulos forem refutadas, isso não afetará a lógica proposta pela psicanálise; mostrará apenas que os cientistas terão que procurar essa funcionalidade de outras maneiras. Cabe a eles descobrirem como o cérebro possibilita a emergência da função catóptrica na mente. A psicanálise já mostrou como isso funciona logicamente; a neurociência que o demonstre neurologicamente! E com essas descobertas, como as de Ramachandran e Hameroff & Penrose, os passos estão indo nessa direção.

Portanto, falar que o psíquico não é uma instância física, espacial, neuronal, coloca a velha oposição mental x físico, o que é ir na direção contrária ao que Freud dizia, que a lógica do inconsciente não comporta oposição. Não se trata de o inconsciente ser ou mental ou físico, natural ou cultural. O inconsciente é lógico, ou seja, articula o natural e o cultural como as duas imagens de seu espelho. E negar a possibilidade dessa articulação é falta de análise da própria teoria, o que sintomatiza a psicanálise em um narcisismo da sua pequena diferença (a diferença físico x psíquico), e, ao invés de trabalhar no sentido da dissolução das barreiras entre as oposições, que é o próprio movimento de cura na psicanálise, o próprio movimento do inconsciente, esse ‘combate’ só faz reforçar ainda mais a resistência a esse movimento. Por isso, “é legítimo aplicar o método psicanalítico à coletividade que o sustenta” (LACAN, 1998, p. 245), para ver se a teoria não se reduz a palavras gastas (LACAN, 1986, p. 9), já que o pensamento freudiano é o mais perpetuamente aberto à revisão (Ibid.). Não é preciso ficar na defensiva, na onda paranoica de combate a outras teorias da mente, pois se a psicanálise e a neurociência dissolverem suas fronteiras, como quem dissolve a barreira físico/psíquico, isso não invalida ou apaga a lógica que Freud trouxe; pelo contrário, ratifica-a. A psicanálise não perderá seu lugar, sua especificidade no mundo; apenas efetivamente integrará e terá sido integrada por outros saberes que estão no mesmo campo lógico que ela (tal como Lacan fez ao articular a psicanálise a tantas outras disciplinas). E aí, ela nem precisará se chamar “Psicanálise” mais; poderia ser Físicanálise, ou qualquer outro nome. A lógica terá sido preservada, porque ela é homogênea aos dois campos. Pois uma vez que a principal pesquisa da neurociência é, como diz Ramachandran, a instanciação do sentido pelos neurônios, e uma vez que a lógica do sentido é a estrutura catóptrica descoberta no inconsciente por Freud, fica claro que o Inconsciente é o Santo Graal da neurociência, por ser a lógica da articulação de oposições a partir da qual o sentido, logicamente humano, é gerado nesta espécie particular de macaco, chamado Homo Sapiens Sapiens.



REFERÊNCIAS:

LACAN, Jacques. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.


_____________. O Seminário, livro 19. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2012.

_____________. O Seminário, livro 17. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.

_____________. O Seminário, livro 1. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986.

QUINET, Antonio. Os Outros Em Lacan. Rio de Janeiro; Jorge Zahar, 2012.

KEHL, Maria Rita. II Conferência em Neurociências e Psicanálise – Instituto Távola. Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=wuFV11hf-AQ

RAMACHANDRAN, V. S. a. The tell-tale brain. Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=hiIVtROrtbk

________________________ b. Take the neuron express for a brief tour of consciousness. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=ojpyvpFLN6M

FREUD, Sigmund. A Interpretação dos Sonhos. ESB, vol. V. Rio de Janeiro: Imago, 2006.

______________. Projeto Para uma Psicologia Científica. ESB, vol 1. Rio de Janeiro: Imago, 2006.

MAGNO, MD. O Halo Bífido do Inconsciente. Disponível em: http://www.tranz.org.br/5_edicao/TranZ10-Magno.pdf

_______________. AmaZonas. Rio de Janeiro: Novamente ed., 2008.

HAMEROFF, Stuart. Through the Wormhole: Life after Death. Documentário disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=l7E6sihLgdU



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